A explicação para esse comportamento depende de análises psicológicas e morais complicadas, mas uma das razões é justamente a tal exposição do corpo que chega ao auge em meados de fevereiro ou março. O tratamento que o corpo (sobretudo o feminino) recebeu pela tradição no Brasil gera sim a crença de que se há uma fresta de decote ou uma silhueta arredondada a imagem deve ser registrada sem o menor respeito pelo ser humano.
Não quero ser doutrinária, pregar uma onda de repressão sexual, ou começar um abaixo assinado pela adoção da burca. Deus nos livre disso. Fique claro, não me revolto contra o samba ou o carnaval em si, são expressões importantes da nossa cultura. Sem falar que nós precisamos de um feriadozinho para o lazer, aliás, temos o direito de nos divertir, até loucamente. E nada melhor do que dança para extravasar tensões cotidianas (Minhas preferências musicais pediriam letras um pouco mais trabalhadas, mas azar o meu). Movimento produz calor que seria compensatório se o dançarino estivesse longe dos trópicos , mas que no caso do nosso clima é em insuportável e pede trajes leves.
O que me incomoda é o culto a determinada parte do corpo e suas consequências, ou seja, a difusão da idéia de que toda mulher brasileira adora exibir suas nádegas e está aberta a tê-las apalpadas ou fotografadas, a rejeição ao próprio corpo a que estão sujeitas as pessoas que não alcançam o ideal da bunda perfeita, a crença de que o melhor que alguém possa oferecer é seu aspecto físico.
São sinais de uma supressão da identidade que torna a psique secundária ao corpo, paralelos contemporêneos da biografia de Saartjie Baartman. Ela que ficou conhecida como Vênus Hotentote, era uma escrava da etnia khoisan, cujas formas incomuns eram uma curiosidade circense em cidades inglesas e francesas do século XIX. Após a morte, seu corpo ainda foi objeto de exposição e quando entrou em decomposição, sua genitália foi extraída para ser levada a um museu.
Olá!
ResponderExcluirÓtimo texto, Rafa!
É triste ver que, hoje, a televisão se transformou em um palco de um evento tão rico, que é o carnaval, mas extremamente pobre de espírito.
Beijo, querida!
Mto bom Rafa, sensacional seu texto
ResponderExcluirMe remete a aula do Pedro Filardis, quando ele disse, que com essas atitudes, mesmo que subliminarmente, estão chegando ao nivel de bizarrices como as de Hitler, a busca do padrão humano perfeito, só que nesse caso, só se preocupam com a embalagem. Só que se esquecem, que o que é oco, quebra-se rapidão.
aloow rafa! disse que ia da uma olhada e to por aqui! Mto interessante seus pensamentos, parabêns! de verdade
ResponderExcluirum beijão!
Gosto muito da forma como escreve, sua redação é ótima. Continue atualizando.
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